
No livro Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar, o psicólogo e economista Daniel Kahneman apresenta duas formas principais pelas quais nosso cérebro toma decisões.
A primeira é rápida, automática, intuitiva e emocional, chamada por ele de Sistema 1.
Já a segunda é lenta, racional, analítica e consciente, chamada de Sistema 2.
Segundo Kahneman, a maior parte das nossas decisões diárias é tomada pelo Sistema 1.
Mas por que isso acontece?
A resposta é simples:
para economizar energia.
O cérebro humano pesa cerca de 1,3 a 1,5 kg, o que representa aproximadamente 2% do peso corporal. Ainda assim, ele consome cerca de 20% de toda a energia do organismo.
E isso acontece mesmo tomando inúmeras decisões automáticas, sem precisarmos parar constantemente para analisar, raciocinar e refletir profundamente.
Estima-se que tomamos algo em torno de 35 mil decisões por dia.
Imagine o gasto de energia se precisássemos utilizar o Sistema 2 o tempo inteiro.
Por isso, o cérebro cria atalhos mentais e padrões automáticos de comportamento para poupar energia e aumentar nossas chances de sobrevivência.
É exatamente por isso que:
- você costuma voltar para casa pelo mesmo caminho;
- escolhe frequentemente o mesmo restaurante;
- compra marcas conhecidas;
- ou repete hábitos sem perceber.
Seu cérebro prefere aquilo que já conhece, porque o familiar exige menos esforço mental e reduz incertezas.
O problema é que esses atalhos mentais, apesar de eficientes para economizar energia, também podem gerar erros de julgamento e decisões financeiras ruins.
Por exemplo:
- gastar impulsivamente;
- seguir a multidão nos investimentos;
- manter hábitos financeiros prejudiciais;
- ou evitar mudanças importantes por conforto psicológico.
As finanças comportamentais estudam justamente como esses mecanismos automáticos influenciam nossa relação com o dinheiro.
Porque muitas vezes:
não decidimos financeiramente de maneira lógica — decidimos da maneira mais fácil para o cérebro.
E você?
Tem tomado melhores decisões para a sua aposentadoria?
Por Roberto Takaoka.
Fonte: KAHNEMAN, Daniel. Rápido e devagar: duas formas de pensar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

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